O diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do MCTI, Osvaldo Moraes, foi o entrevistado desta quarta-feira (4) na programação do Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações (MNCTI) dedicada à instituição. Todas as palestras e painéis promovidos pela entidade neste dia estão disponíveis no canal do ministério no YouTube www.youtube.com/mctic.

Entre os temas abordados na entrevista estão a missão do Cemaden no monitoramento de riscos e desastres com o objetivo de preservar vidas, principalmente das populações mais vulneráveis e o trabalho multidisciplinar da unidade, criada em 2011 e tornada unidade de pesquisa do ministério em 2016.

“Até a criação do Cemaden, tudo que o Brasil possuía em termos de gestão de risco de desastres era a resposta aos desastres e ações humanitárias. Nós não tínhamos nenhuma atividade de monitoramento das condições que levam a desastres, as condições necessárias para um alerta ser emitido. O Cemaden foi criado como resposta ao desastre da região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, com perdas estimadas em R$ 5 bilhões, conforme o Banco Mundial”, afirmou Moraes.

Outro contexto para a criação da instituição foi a instituição de uma agenda internacional para gestão de risco de desastres naturais pelas Nações Unidas. Segundo Osvaldo Moraes, o Cemaden utiliza dados meteorológicos, geológicos e sociais e tem cooperação com instituições nacionais e outros países para a prevenção de desastres.

“Fazer gestão de risco e ciência são atividades que requerem cooperação. Nós temos hoje cooperações com todos os órgãos nacionais que trabalham com gestão de riscos. Por exemplo, a Agência Nacional de Águas, que fornece dados da rede hidrológica, o Instituto Nacional de Meteorologia, a Aeronáutica, com dados dos radares meteorológicos, o Serviço Geológico do Brasil, colaborações com universidades e cooperações a nível internacional com os BRICS e o Reino Unido, por exemplo”.

O diretor do Cemaden detalhou também a atuação interdisciplinar da instituição, que conta com profissionais da meteorologia, hidrologia, geologia e ciências sociais tanto para o monitoramento ininterrupto das áreas de risco em uma Sala de Situação, quanto para a produção de conhecimento científico. Segundo ele, essa foi uma concepção inédita que se tornou referência para outros países.

“Não existe nenhum país do mundo que possui um centro com a concepção do Cemaden. Os países desenvolvidos, embora possuam áreas de risco, não possuem populações socialmente vulneráveis. Já os países pobres não têm as condições econômicas de desenvolver um sistema com o Brasil fez. O Brasil teve a ousadia de criar algo novo voltado às populações vulneráveis, o que faz do Cemaden uma instituição de referência internacional”.

Segundo dados do Cemaden, o Brasil tem hoje quase 50 mil áreas de risco, com 10 milhões de habitantes. Desde 2012, o país conta com um Plano de Gestão de Risco e Resposta a Desastres. Os principais desastres naturais no país são decorrentes tanto do excesso de água, como deslizamentos em encostas, desmoronamentos, inundações, enxurradas, quanto decorrentes de sua escassez nos casos de colapso de safras agrícolas e de sistemas de abastecimento de água a populações humanas e animais.

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