Em entrevista ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, a diretora do Museu Paranse Emílio Goeldi, Ana Luisa Albernaz, expôs o trabalho desenvolvido há 154 anos pela instituição, que é o segundo museu de ciências mais antigo do país. A visita do ministro às instalações do Goeldi e o bate-papo fazem parte do Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações (MNCTI). Todos os dias, uma organização vinculada ao ministério promove um dia inteiro de conteúdo no canal no youtube.com/ascommcti.

Segundo a diretora, a origem da instituição veio do entendimento da importância da ciência e tecnologia para o desenvolvimento da região. “O Goeldi é o segundo museu de ciências mais antigo do país. Foi instalado em uma época em que pouco se falava de ciência no país. A ideia foi trazer a ciência para o desenvolvimento da região”, explicou.

A conversa também tratou da diversidade do acervo de animais e plantas mantido pelo Goeldi. Tanto o ministro quanto a diretora lembraram que a região amazônica ainda guarda muitas novas espécies desconhecidas que vão desde animais até microorganismos. “Nos últimos 4 anos, o Goeldi participou da descrição de 301 novas espécies. São primatas, serpentes, peixes elétricos. Nós estamos ainda descobrindo espécies de porte grande. A gente conhece ainda pouco desse bioma. A região é muito vasta”, afirma Ana Luisa. O museu tem 19 acervos, coleções nas áreas de zoologia, linguística, fósseis, fósseis de plantas e rochas. O objetivo é preservar as origens do país.

“Do ponto de vista cultural, a maioria das pessoas têm essa curiosidade de saber quem somos, de onde viemos, qual nossa origem, como as pessoas viviam antes. A história brasileira, a gente fala que ela é mais nova que a europeia, mas isso porque antes vivia aqui a população indígena. Se a gente ver os objetos na coleção, há objetos de 4 mil anos antes de Cristo. Essa história ainda está mais escondida do que civilizações que todo mundo conhece”, relata.

O ministro Marcos Pontes falou sobre a programação do Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações. A ideia é que o evento atraia os jovens e os inspire a pensar em uma futura carreira. “Se você vier a Belém não deixe de visitar o Museu Goeldi. Eu mesmo, andando e conhecendo as coisas, pensei que, se eu fosse jovem talvez estudasse para uma área diferente. Ciência e tecnologia atraem os jovens. Mesmo que não seja para uma carreira específica, a metodologia científica desperta uma maneira de pensar que vai ser boa para o sucesso em qualquer carreira”, disse.

Outro tema da conversa foram as iniciativas do Museu em parceria com secretarias do ministério. Como por exemplo o projeto, Ciência na Escola. “A gente tem essa programação com as crianças no Parque Zoobotânico e o projeto dá apoio para termos mais bolsistas e aumentar nossa capacidade de recebê-las. Ano passado tivemos um público de 19 mil crianças. Nós estamos em fase avançada para iniciar o projeto Regenera, que visa entender melhor o processo de recuperação das florestas depois de degradação, junto com o ministério e outras instituições. O terceiro é o projeto Salas, que pretende incentivar a melhoria de laboratórios em áreas descentralizadas”, explicou.

A conversa também tratou das perspectivas futuras para o Museu e tecnologias simples que podem ajudar a população da região, como conexão de internet banda larga, técnicas de agricultura, fortalecimento da educação e acesso à água.

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