Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações – MNCTI

                 Outubro é o Mês Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovações.

            Com atividades coordenadas pelo MCTI, a celebração tem o objetivo de mobilizar a população, em especial os jovens, para atividades científico-tecnológicas
O mês de outubro será o Mês Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovações, que irá expandir as atividades já realizadas anualmente na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).

            As ações do Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações serão coordenadas pelo MCTI com a colaboração de instituições públicas e privadas, universidades, museus, fundações de amparo à pesquisa, parques ambientais, jardins botânicos e zoológicos, secretarias estaduais e municipais e outras entidades que tratem do tema.

                A finalidade do Mês é “mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades de Ciência, Tecnologia e Inovações, valorizando a criatividade, a atitude científica e a inovação.” Além disso, o Mês irá se aliar à missão Institucional do MCTI de apresentar a produção de conhecimento e riqueza, alinhadas à melhoria na qualidade de vida da população brasileira de modo a permitir o debate acerca dos resultados, relevância e impactos da pesquisa científico-tecnológica, principalmente daquelas realizadas no Brasil, e suas aplicações.

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – SNCT

                A SNCT conta com a colaboração de vários setores da sociedade como secretarias estaduais e municipais, agências de fomento, instituições de pesquisa, instituições de ensino em todos os níveis (fundamental, médio e superior), sociedades científicas, empresas privadas de base tecnológica. Tem o objetivo de aproximar a Ciência e a Tecnologia da população, por meio de eventos que congregam instituições de todo o País em torno de atividades de divulgação científica.

Temas

Em cada ano a SNCT foca um tema diferente. Nesse ano de 2021, será realizada a 18ª SNCT entre os dias 17 e 23 de Outubro com o tema “A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta”. Você pode conferir também as edições anteriores da SNCT.

Quem participa?

Todas as pessoas interessadas podem participar das atividades da SNCT. Atualmente, colaboram com a realização deste grande evento as universidades e instituições de pesquisa; escolas públicas e privadas; institutos de ensino tecnológico, centros e museus de C&T; entidades científicas e tecnológicas; fundações de apoio à pesquisa; parques ambientais, unidades de conservação, jardins botânicos e zoológicos; secretarias estaduais e municipais de C&T e de educação; empresas públicas e privadas; meios de comunicação; órgãos governamentais; ONGs e outras entidades da sociedade civil.


Quem Coordena?

A coordenação nacional da SNCT é de responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Popularização da Ciência (CGPC), da Assessoria Especial de Assuntos Institucionais (AEAI). Em cada estado, existem parceiros locais que podem orientar em como participar da SNCT. A realização da SNCT conta com a participação ativa de governos estaduais e municipais, de instituições de ensino e pesquisa, e de entidades ligadas à C&T de cada região. Muitos estados e municípios já criaram suas semanas estaduais ou municipais de C&T, articuladas com a SNCT nacional.


O tema da 18ª SNCT

A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta

             “A transversalidade da ciência, tecnologia e inovações para o planeta” foi o tema escolhido para a 18ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – SNCT, que acontece entre os dias 2 e 8 de outubro de 2021, com eventos e atividades on-line e/ou presenciais, gratuitos e abertos à comunidade. A temática propõe problematizar questões que ultrapassam fronteiras, quando o papel da ciência é destacado e reconhecido pela sociedade.

            O enfrentamento mundial e emergencial à COVID-19 tem exigido esforços e investimentos inestimáveis. Uma situação excepcional – uma pandemia de grandes proporções e impactos globais – mais uma vez recorre à ciência em busca de respostas e alternativas. E não poderia ser diferente. Mas a gravidade da situação tem exigido mais do que a aplicação de conhecimentos e recursos até então disponíveis. Demanda cooperação, articulação, interação, coletividade, troca de informação, transferência de tecnologia, multilateralismo, superação de limites e, sobretudo, compromisso com a vida na Terra. Não há como chegar a tudo isso sem contar com ações transversais.

            Os debates sobre temas e ações transversais não são novidade no meio da ciência, da tecnologia e das inovações – CT&I, nem se restringem a um ou outro campo do conhecimento. Cada vez mais se reconhece a transversalidade como atributo fundamental, efetivo e atual nas agendas voltadas ao desenvolvimento equitativo e sustentável. Assim como no caso da pandemia de COVID-19, a superação dos grandes desafios globais, nacionais e regionais, depende de ações que considerem os avanços científicos e tecnológicos em diferentes áreas do conhecimento, mas que também sejam capazes de integrá-los e otimizá-los, em benefício da humanidade e do planeta.

            O mesmo movimento humano que cria, desenvolve e reformula especialidades, reconhece a necessidade de interdependência entre competências e vivências, e de reconhecimento a realidades, culturas e saberes distintos. A natureza transversal da ciência, a serviço do desenvolvimento humano, considera não apenas a interlocução entre
pesquisadores, academia, governos, setores produtivos e sociedade, mas principalmente a expectativa de que os frutos de esforços conjuntos sejam disponibilizados transversalmente. Ou seja, é fundamental que as iniciativas de CT&I sejam convergentes, e que contribuam para reduzir desigualdades sociais e desconcentrar oportunidades, favorecendo a paz e a prosperidade.

Mas afinal, o que é “transversalidade” na CT&I?

            Existem diversos entendimentos sobre a noção de “transversalidade” aplicada à CT&I, mas todos pressupõem a interação com outras abordagens e ações comuns. Inicialmente proposto como um conceito matemático, a transversalidade pouco a pouco passou a ser considerada nas reflexões das demais ciências, notadamente a partir da década de 1960. Um dos primeiros a utilizar o conceito foi o filósofo Félix Guattari (1930-1992). Ele considerava que a transversalidade busca superar o que se apresenta sob a forma de estruturas do conhecimento e da sociedade, bem como os entendimentos que tendem à homogeneização.

            “Transversal” é o que cruza espaços delimitados, o que atravessa as estruturas organizacionais, sociais e do conhecimento humano. É o que é comum a todos. Não por acaso, a noção de “transversalidade” se aplica a ações e políticas que vão além da organização por áreas de especialidades científicas. O “território da transversalidade” é ao mesmo tempo científico, social, cultural, econômico, ambiental, político e governamental. Assim, a transversalidade na CT&I se justifica principalmente quando há necessidade de articulação sob temas ou desafios comuns, ao gerar ações e políticas cooperadas, integradas e convergentes.

            “Transversalidade” não se confunde com “transdisciplinaridade” e “interdisciplinaridade”, embora sejam entendimentos próximos. A interdisciplinaridade prevê a aproximação e troca de conhecimentos entre diferentes disciplinas. A transdisciplinaridade, mais abrangente, propõe a interação “entre, através e além”1 das disciplinas, ao também considerar vivências e experiências culturais, caso das etnociências e dos conhecimentos ditos “tradicionais”. Como a transversalidade é considerada na agenda global e do Brasil?

            Diversos documentos e acordos internacionais consideram a transversalidade como um meio estratégico para o alcance dos grandes desafios deste século. Um exemplo de percepção global do papel fundamental da transversalidade é a Agenda 20302, acordada por 193 países em 2015, por ocasião da realização da Assembleia Geral da Organizaçãodas Nações Unidas – ONU, em Nova York. O Brasil é um dos países signatários do documento intitulado Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nesse compromisso comum, a transversalidade é reforçada por sua afirmação como uma “declaração global de interdependência”3.

1. Para maiores detalhes, recomenda-se a leitura dos escritos do físico romeno Basarab Nicolescu, do matemático brasileiro Ubiratan D’Ambrosio (1932-2021) e do filósofo e epistemólogo brasileiro Hilton Japiassu (1934-2015).
2.  Ver mais detalhes em http://www.agenda2030.com.br/.
3. Expressão utilizada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterrez.